Te escrevo poesia como um louco que anuncia a chegada do fim do mundo.
(via embriague-se-de-poesia)
Cartas à Isabel
III
O rosto apoiado em uma mão
a outra com cigarro entre os dedos
as pálpebras se fecham
me conduzindo a um sonho onde
encontro com seus lábios e olhos
o timbre da sua voz rouca me dizendo
tudo o que essas mãos queriam alcançar com você
eu poderia viver mais cem anos neste sonho
onde o calor do seu abraço me desse um nó
e que desse nó meu peito tramaria um encontro
com a liberdade
voaria por céus e oceanos para trazer-te aqui
você, menina, se aninharia em meu colo
teceríamos um futuro meu, seu e o que
mais quisesse ser nosso
ainda no sonho
sonho meu, somente meu
este seu misterioso brilho que
dilata todo meu corpo dissiparia
a tempestade em mim
eu mulher te cobriria serena com um véu
que faria de tua tormenta repouso
assim te prometo em segredo